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Política Monetária

O que o Banco Central não está dizendo sobre a inflação de 2027

Por Fábio Guerreiro  |  3 ago. 2026

O Relatório de Inflação do segundo trimestre projeta IPCA de 3,2% para 2027 — dentro da meta de 3% com banda de 1,5 ponto percentual. A projeção parece razoável à primeira vista. Mas alguns pressupostos merecem escrutínio.

O modelo do BC assume que a taxa de câmbio permanecerá estável em torno de R$ 4,90 durante todo o período de projeção. Também assume que os preços administrados — energia elétrica, combustíveis, planos de saúde — crescerão em linha com a inflação geral. Ambos os pressupostos são contestáveis.

O risco cambial

O real está valorizado em relação ao dólar por razões que podem ser temporárias: diferencial de juros alto e fluxo de capital externo favorável. Se o Fed retomar o ciclo de alta ou se houver deterioração do cenário fiscal brasileiro, o câmbio pode se depreciar rapidamente. Uma depreciação de 10% no câmbio adiciona entre 0,3 e 0,5 ponto percentual ao IPCA.

O risco dos administrados

As tarifas de energia elétrica estão represadas. O governo adiou reajustes por razões políticas, mas a conta chegará. Quando chegar, o impacto no IPCA pode ser significativo — e concentrado em poucos meses.

Fábio Guerreiro
Colaborador de Mercado Claro